Em março de 1964 estourou a Revolução. Terminado o breve curso os alunos deveriam escolher as Unidades para servir, de acordo com sua classificação intelectual. Havia um aluno que era um comuna safado, apoiador do Jango. Durante o Curso ele me olhava e dizia “Vai correr muito sangue nas baias! Vamos degolar os gorilas!” Ele não precisou escolher porque fugiu para o Uruguai vestido de mulher. Depois foi cassado.
O Fontoura tinha deixado a chefia do Curso de Artilharia e sido nomeado Cmt do 1 GO 155 na Vila Militar. Ele veio falar comigo e disse: “Hoche preciso de dois bons capitães para servir comigo no GO.” Eu respondi: “Bem, eu preencho uma das condições: não sou bom mas sou capitão.” Ele riu e perguntou quem seria o outro. Indiquei o Manso que era meu amigo. Com isso fomos os dois nomeados por ordem do Ministro da Guerra, independentemente de classificação intelectual. Foi muito bom para mim porque fui servir com um amigo de primeira grandeza e evitei uma possível saída do Rio carregando os sete filhos e a tralha toda.
A desvantagem foi que tive que morar numa casa muito velha e muito pequena, mas por apenas um ano pois em seguida fiz o exame para a Escola de Estado Maior e fui morar em magnifico apartamento na Praia Vermelha, ao lado da Escola.
Curioso foi que um cabo que trabalhava comigo no GO ficava me olhando quando eu dizia que ia passar no exame que era sabidamente muito rigoroso. Um dia ele me abordou muito respeitoso e perguntou: “Capitão posso dize uma coisa?” Eu disse: Pode. Ele: ”O sr fica dizendo aí que vai passar no exame e se não passar não vai ficar muito chato?” Aí eu expliquei: “ Nas provas de Geografia, Historia e conhecimentos militares todos fazem mais ou menos a mesma coisa. Mas nas provas de Ingles e de Espanhol eu tiro 10 entendeu?” Não deu outra.